Greg Firth, Dean Ormston, Lyndon Scarfe e Liam Stewart são os The Black Lamps, uma banda inglesa oriunda de Barnsley e no ativo desde 2006, com uma já apreciável atividade, sempre com sonoridades adjacentes ao indie rock mais sombrio no ponto de mira. No início deste ano editaram um homónimo, através da Of National Importance Records, dez canções produzidas e misturadas pelos próprios The Black Lamps e masterizadas por Tom Woodhead.

Trio cheio de nomes consagrados do cenário indie punk local, com alguns músicos a andarem nestas andanças há mais de três décadas e com atividades paralelas mas que não deixam de ter a música como referência importante (Liam gere uma empresa local de manufatura de t-shirts, Greg é designer industrial e Dean artista gráfico e ilustrador), os The Black Lamps são um nome respeitado e este homónimo o culminar de vários anos de trabalho, momentos de apatia e outros de enorme produtividade, atuações ao vivo e gravações esporádicas e planeadas, num resultado final sóbrio e elegante, coberto por aqulea aúrea nostálgica e enevoada que só as bandas britânicas sabem criar.
Com os conterrâneos Cure e Joy Division a encabeçar as influências declaradas da sonoridade dos The Black Lamps, mas também com os sintetizadores dos New Order a ditaram lei, logo em The Archivist, The Black Lamps exala esse agradável sabor nostálgico ao dealbar dos anos oitenta. Casa Disco, o segundo tema, homenageia uma loja de discos local entretanto encerrada e as guitarras contêm essa familiariedade com o indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio.
A voz de Liam ganha plano de destaque maior sempre que procura acompanhar um esqueleto instrumental melancólico, fazendo-o com particular audácia na subtil Awnkward e no universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada que rodeia Low Hanging Fruit. Em The Smoking Party, mesmo com maior reverb, volta a não descolar no grau de emotividade que coloca na sua interpretação vocal, exemplarmente acompanhado pelas exuberância das cordas e em Gene Pool tem ao seu lado uma percurssão coesa e bastante ritmada.
Até ao ocaso de The Black Lamps torna-se imprescindível e especial deleitar os nossos ouvidos com o ritmo sempre crescente, num álbum muito bem produzido, sem lacunas, com elevada coerência e sequencialidade e que é, sobretudo, um exercício de audição individual das canções. Mesmo ignorados por meio mundo, os The Black Lamps aproveitam o facto de estarem no apogeu da carreira e do grau de maturidade de todos os seus membros, para criar um disco fantástico, emocionante, vigoroso e comunicativo e que merecia uma maior projeção. Talvez seja desta vez que conseguem quebrar o enguiço de quem insiste em querer catalogar com injusto menosprezo alguns projetos que procuraram replicar apenas, ao longo da carreira, zonas de conforto, mesmo que o façam com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...
01. The Archivist
02. Casa Disco
03. Colour 8
04. The Smoking Party
05. Awkward
06. Planets
07. Are There No More Surprises?
08. Low Hanging Fruit
09. Gene Pool
10. Scissors, Paper, Stone

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