The Migrant – Flood

Os The Migrant são liderados por Bjarke Bendtsen, um músico de Copenhaga, na Dinamarca, ao qual se juntam Mads Hartmann, Jakob Lademann, Kristian Lademann e Aske Fuglsang. Falo de um projeto de indie pop mas com imensos traços de folk e psicadelia e já com uma trajetória importante. Estrearam-se nos discos com Travels in Lowland, em 2010 e depois chegou Amerika, no ano seguinte. Beads, no início de 2014, foi o terceiro trabalho deste coletivo que está de regresso com Flood, mais dez canções produzidas e misturadas pelos próprios Mads Hartmann e Bjarke Bendtsen, dois membros do grupo e que viram a luz do dia a dezasseis de janeiro último.



Pessoalmente nunca incomoda nem aborrece este jeito inato que os músicos nórdicos têm para exaltar a melancolia, fazendo-o à boleia de melodias capazes de vergar o coração mais empedernido e às quais é impossível resistir. Talvez seja do clima, desse frio polar que obriga a que mentes que viajam constantemente entre a ressaca e um estado mais ébrio, tenham de se aquecer de qualquer forma, fazendo também com a música, sem dúvida uma excelente porta de entrada para um mundo mais confortável e acolhedor.


A música dos The Migrant tem a capacidade inebriante de nos convidar a darmos as mãos e fazermos uma roda em seu redor, enquanto dançamos ao som de canções que brilham no modo como palpitam, guiadas por cordas que parecem ter vida própria e que em determinados instantes até nem receiam ousar e tomando como exemplo a notável Silence, piscarem o olho a um certo travo psicadélico. Belly Of A Man ou Water são outros dois momentos que se destacam em Flood, impressionando pelo modo harmonioso como mostram que os The Migrant conseguem eletrificar a guitarra e, num clima mais rock, abraçando esse salutar experimentalismo ainda com maior convicção, não resvalarem nunca para exageros desnecessários, conseguindo assim manter intato um precioso charme genuíno e provando que estamos na presença de uma banda criadora de belos instantes sonoros, que se estendem pelos nossos ouvidos sem a mínima sensação de desconforto.


O que não falta neste disco são canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que misturam harmoniosamente a exuberância acústica com a voz, dando expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana. Mesmo quando alternam e passam de climas agitados a instantes mais calmos, conseguidos através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre precurssivos, os The Migrant nunca roubam às cordas o merecido protagonismo e temas como The Flood são um claro exemplo desta vontade de nos fazer refletir, com o romantismo e a cândura da maravilhosa Silence a confrontar-nos com a nossa natureza, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.


Otimista por natureza, com canções como Climbers ou The Fixer que nos fazem querer saltar enquanto acreditamos que nada é impossível, este quinteto mostra-se maduro e consciente do mundo que o rodeia e num estágio superior de sapiência que lhe permite utilizar o seu habitual espírito acústico para colocar-se à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar histórias que materializam os The Migrant na forma de conselheiros espirituais sinceros e firmes e que têm a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...


The Migrant - Flood


01. Climbers
02. The Fixer
03. Flood
04. Belly Of A Man
05. Silence
06. Water
07. Give Up
08. Haunted
09. Tiger
10. Row Row



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