Os Dirty Dishes são Jenny Tuite e Alex Molini, uma dupla oriunda de Los Angeles, na Califórnia que se conheceu quando Alex vomitou acidentalmente nos sapatos de Jenny numa festa e, sentindo-se mal com isso, procurou no dia seguinte o contacto dela para lhe oferecer um novo par de sapatos. O par de solas nunca foi entregue, mas desse contacto nasceu uma nova banda, estes Dirty Dishes que têm em Guilty o seu mais recente lançamento discográfico, um trabalho disponivel no bandcamp do projeto, desde vinte e sete de janeiro, em formato vinil e digital, através da Exploding In Sound Records e em formato cassete através da Seagreen.
Num disco que se divide em dois períodos distintos, o baixo e as distorções da guitarra de Thank You Come Again convidam-nos a recordar o período aúreo do grunge dos anos noventa, um revivalismo salutar proposto por uma dupla que sabe como causar impacto logo à primeira e criar um ambiente de tensão, narcótico, empoeirado e fortemente aditivo. Os Dirty Dishes fazem juz ao nome e, em Red Roulette, servem-nos, com enorme requinte, esse som sujo, ampliando a toada épica inicial e plasmando uma interrssante capacidade melódica numa simbiose entre garage rock, pós punk e rock clássico, fazendo juz à sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do indie rock norte americano há mais de duas décadas.
Chega-se a Guilty, o tema hómónimo e um dos singles já extraídos do disco e a bitola sonora destes Dirty Dishes já não tem segredos. Mesmo que haja um ambiente mais sombrio a tomar conta desta canção, o mesmo não defrauda os apreciadores do género. A partir de Androgynous Love Song, Guilty entra então num rumo mais reflexivo e calmo, mas respeitando sempre a fórmula sonora inderente à dupla. Esta canção é dominada pelo pendor acústico das cordas e pela cândura nada óbvia da voz de Jenny e, logo a seguir, a atmosférica Dan Cortez, canção onde a percurssão se vai insinuando enquanto não desiste de tentar engatar o ritmo, alinha com a mesma voz e um efeito agudo de uma guitarra hipnótica, sendo estes detalhes bons exemplos da forma corajosa como, logo na estreia, os Dirty Dishes não se coibem de tentar experimentar ideias diferentes e fugir do comum.
Neste segundo momento do disco, canções como Dinner Bell, uma composição cheia de efeitos e detalhes preciosos, enquanto é guiada por um baixo nada óbvio e o misterioso lamento chamado Lackluster, contêm momentos de pura improvisação, com instantes intrumentais que apontam em diferentes direções e com um baixo que não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico das mesmas. E esta faceta mais experimental, que tem o seu instante mais curioso na folk acústica de One More Time, como anteriormente referi, não perturba a conturbada homogeneidade de um alinhamento sempre fluído e acessível, apesar desses momentos e da especificidade rugosa do som que carateriza os Dirty Dishes.
02. Red Roulette
03. Guilty
04. Androgynous Love Song
05. Dan Cortez
06. Dinner Bell
07. Lackluster
08. One More Time
09. Sugar Plum Fairies
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