Sedeados em Inglaterra e com músicos oriundos de cinco países de três continentes diferentes, os The Vultures servem-se das cordas de violas, violoncelos, guitarras, baixo e violinos, da bateria e de sintetizadores para criar canções que contêm uma paleta sonora com uma deliberada componente gótica, mas que não se resume a esse espetro, já que o indie rock e o punk são também bitolas importantes para a caraterização da música do projeto.
No final de janeiro os The Vultures editaram Three Mothers Part1, o disco de estreia, através da Ciao Ketchup Recordings, um compêndio de oito canções que segue uma bitola sonora assente em orquestrações com tanto de amplo e monumental como de sombrio, o tal indie rock com um certo cariz gótico, já definido por alguma crítica como um altpop neogótico, uma adaptação contemporânea e atual do som que fez escola na década de oitenta, no cenário indie britânico e que estes The Vultures pretendem resgatar.
Um das caraterísticas mais interessantes deste quinteto relaciona-se com a elevada componente sexual da sua música. Há algo de profundamente libidinoso no cardápio do grupo e o próprio plantel, que mistura músicos de ambos os sexos, propícia à criação dessa aúrea, que o amibente sonoro que exalam não desmente e que, tradicionalmente, sempre foi um veículo expressivo de transmissão de ideias e pensamentos que abordam o lado mais obscuro, agitado impulsivo e carnal das relações. Além da percurssão coesa e bastante ritmada, o vasto arsenal de cordas amplia igualmente essa sensação que mistura mistério e luxúria e que transborda da coesão e da amplitude de um som encorpado, onde está plasmado, em Three Mothers Part 1, um superior cuidado não só na procura de uma diversidade melódica e até instrumental, mas também na demonstração de controle das operações, mas sem deixar que isso ofusque o charme exalado pelo universo cinzento e nublado que cobre a mente criativa do coletivo. Essa assertividade processual, que tem um fim temático bem definido e que ajuda a conceptualizar o disco, também é conseguida no modo como as canções aconchegam a voz, quase sempre colocada numa postura um pouco lo fi, o que lhe dá uma tonalidade fortemente etérea e ligeiramente melancólica, com a postura vocal a procurar, muitas vezes, que seja nítida a sensação de diálogo entre a banda e o ouvinte, como se falassem dirtamente connosco, em vez de cantarem para uma vasta plateia. Assim, a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza, são amenizadas por um grande cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas e por uma utilização assertiva do sintetizador.
Estreia particularmente promissora, Three Mothers Part 1 firma os The Vultures no universo das bandas que merecem já elevado crédito e apertada vigilância relativamente ao futuro. Uma certa ânsia e rispidez normais no arranque, são amenizadas por um grande cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas e, desse modo, por uma demonstração cabal do já apreciável grau de maturidade deste projeto que parece ter a perfeita noção daquilo que pretende explorar e replicar sonoramente, ao longo da carreira. Após a audição de Three Mothers Part 1, sugiro uma visita à original página oficial da banda. Confere...
1. Vlad
2. The Plague
3. Cancer
4. Ants
5. Weakest Storm
6. Tyrant to the Irish
7. Magic Air
8. Stalin’s Army
Comentários
Enviar um comentário
Comment, please...