Um dos fenómenos mais consistentes, duradouros e bem sucedidos da britpop são os The Charlatans, de Tim Burgess, ao qual se juntam atualmente o guitarrista Mark Collins, o baixista Martin Blunt e o teclista Tony Rogers. Nascidos no final da década de oitenta e com a estreia nos discos no primeiro ano da seguinte com o clássico Some Friendly, somam já doze álbuns no seu cardápio e um percurso imaculado assente num indie rock anguloso, aditivo e com uma particular veia experimental.
Gravado no estúdio da própria banda, chamado Big Mushroom e lançado no passado dia vinte e seis de janeiro, Modern Nature é o novo trabalho dos The Charlatans e um marco importante para um grupo que foi recentemente colocado há prova, há semelhança do que já tinha sucedido há mais de duas décadas. Quando em 1996 Rob Collins, o primeio teclista da banda, faleceu num acidente de carro, os The Charlatans criaram a sua obra de arte no ano seguinte, intitulada Tellin' Stories; Agora, dois anos após a morte do baterista Jon Brookes devido a doença prolongada, que ainda não tem substituto oficial, a banda decidiu seguir com os planos e recrutou Gabriel Gurnsey dos Factory Floor, Stephen Morris dos New Order e Pete Salisbury dosThe Verve, para a gravação deste novo álbum, três nomes de peso e que contribuiram decisivamente para que chegasse aos escaparates um trabalho com um conteúdo também de elevada qualidade e que plasma os principais atributos do grupo, acima referidos.
A mistura do rock clássico com sonoridades mais experimentais fez escola em finais de década de noventa em terras de Sua Majestade, com os Stone Roses, Primal Scream e estes The Charlatans, entre outros, a encabeçarem um verdaeiro motim, para regozijo da agitada juventude birtãnica, sempre sedenta de novas experiências e daquela efervescência que o clima local não proporciona e que acaba por ser a música, muitas vezes, a ter esse papel agitador e impulsivo.
Modern Nature é o trabalho que atualmente melhor revitaliza e faz o ponto da situação desse movimento, baptizado de Madchester, com onze excelentes exemplares de rock mutante, que dão vida a letras impressivas e inspiradas, num disco atemporal e revivalista, porque é de hoje, mas podia ter sido editado há vinte e cinco anos. Canções como a soul negra de Keep Enough, o luminoso e aquático single So Oh, o groove pop que sobrevive da fusão entre teclado e guitarra em Let The Good Times Be Never Ending, o tributo ao rock dos anos sessenta feito em dose dupla com Keep Enough e Emily, dois temas onde as cordas impressionam, assim como alguns instrumentos de percussão algo inéditos,com destaque para o bongo, são uma resoluta declaração de sobrevivência misturada com a reflexão que os The Charlatans certamente fazem sobre o seu som e como ele pode sobreviver imaculado à passagem do tempo. Por outro lado, as batidas sintéticas de Talking Tones e Trouble Understanding e o piano elétrico e o baixo sinuoso de Come Home Baby dão ao grupo o indispensável cunho atual e moderno e acomodam-nos temporalmente nas mais recentes tendências.
Simultaneamente modernos e revivalistas e naturalmente genuínos, os The Charlatans conseguem dar à carreira um enorme fôlego com este Modern Nature e reúnem os ingredientes necessários para manter a saua base fiel de seguidores e angariar para a causa os mais entusiastas seguidores das novas tendências do indie rock alternativo, superando com distinção mais uma enorme prova de fogo. Espero que aprecies a sugestão...
01. Talking In Tones
02. So Oh
03. Come Home Baby
04. Keep Enough
05. In The Tall Grass
06. Emilie
07. Let The Good Times Be Never Ending
08. I Need You To Know
09. Lean In
10. Trouble Understanding
11. Lot To Say

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