Breakfast In Fur – Flyaway Garden

Em Nova Iorque, algures entre Manhattan e Catskills, fica New Paltz, zona da cidade que nunca dorme de onde são oriundos os Breakfast In Fur, uma banda que começou por ser o projeto a solo de um músico chamado Dan Wolfe, que depois acabou por recrutar alguns amigos que partilham consigo a sua visão do indie rock lo fi, experimental e psicadélico. Na verdade, este projeto acaba de me surpreender com Flyaway Garden, o trabalho de estreia, um disco editado no passado dia três de fevereiro por intermédio da Bar/None Records.



Em onze canções distribuidas por cerca de trinta e cinco minutos, os Breakfast In Fur desvendam-nos um som com um forte sentido melodioso e épico que, como se percebe logo em Shape, apesar da imponência das guitarras, levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, não deixam de ter um vincado cariz dream pop, nostálgico e sonhador, que seduz pelo calor e pela vibração que transmite. 


Cuidadosos e inspirados no modo como conferem detrermnados detalhes às suas canções, fazem com que as mesmas se envolvam numa certa dose de mistério e fantasia que a postura vocal doce e sussurrante amplia. A profunda e contemplativa Portrait é apenas um exemplo de como esses detalhes, quase sempre bastante orgânicos, mas onde também não faltam sons sintetizados, nos tiram do chão em direção ao espaço, mas os violinos, a cadência da percussão e os instrumentos de sopro de Lifter, assim como os sons flutuantes que transbordam dos etéreos momentos instrumentais Ghum e Flyaway Garden e os efeitos metálicos abrasivos que deambulam em redor das cordas em Setting Stone, são só três exemplos dos vários que no disco provam que estes Breakfast In Fur são exímios no modo como se servem da psicadelia para transmitir sensações profundas e com nervo e intensidade. A forma como Aurora Falls alterna a cadência e o ritmo e, quase no fim, inflete melodicamente, também demonstra uma certa apetência dos Breakfast In Fur para um saudável experimentalismo que, em Whisper, soa de modo leve e arejado, mesmo sendo uma balada de cariz algo sombrio e nostálgico e em Cripple Creek Ferry, em virtude de alguns arranjos aquáticos e claustrufóbicos e da sintetização da voz, nos embala e nos convida de modo sedutor a penetrar em direção a um mundo algo fantasmagórico e claustrufóbico, ao qual é difícil resistir.


Com a subtil lentidão fortemente contemplativa e minimal de Episode e, na sequência, o mergulho nas águas profundas de um sol luminoso que parece brilhar nas profundezas de um imenso aquário de sobreposições vocais e instrumentais que não se deixam enlear por regras e imposições herméticas chamado Sun Catcher, termina um disco que, em todos os seus momentos, nos pede calorosa e carinhosamente para o levar connosco sempre que queiramos deambular e pairar livremente por um universo paralelo, onde ficam de fora as nossas dúvidas, hesitações e tudo aquilo que nos atormenta e aflige.


Flyaway Garden é um título feliz para um imenso jardim esvoaçante, um mundo colorido de emoções fortes, dispostas perante nós em pleno céu aberto e que, batendo à porta do nosso coração, clamam com ternura para que as deixemos entrar e invadir os nossos sonhos, para que nos tornemos também nós portadores da tosca infantilidade que governa o poço criativo de onde se abastecem estes Breakfast In Fur. Espero que aprecies a sugestão...


Breakfast In Fur - Flyaway Garden


01. Shape
02. Portrait
03. Aurora Falls
04. Whisper
05. Lifter
06. Ghum
07. Setting Stone
08. Cripple Creek Ferry
09. Flyaway Garden
10. Episode
11. Sun Catcher


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