Depois de terem editado em 2011 New Brigade, o disco de estreia, os dinamarqueses Iceage de Dan Kjær Nielsen, Elias Bender Rønnenfelt, Johan Wieth e Jakob Tvilling Pless, sairam-se bem do teste que o sempre difícil segundo disco coloca às estreias auspiciosas quando, o ano transato, surpreenderam novamente com You're Nothing, um álbum gravado e produzido pela banda em Copenhaga e que, além de ter mostrado uns Iceage mais maduros, fez com que o seu som tivesse repecurssões várias e nem sempre pelos melhores motivos, já que viram-se confrontados frequentemente com a acusação de serem porta estandartes de ideologias apologistas da extrema direita e de serem admiradores do nacional socialismo, havendo mesmo vídeos de concertos onde algum público ergue o braço fazendo a saudação nazi. Independentemente disso, nesse segundo trabalho a sucessão de choques entre voz, guitarra e bateria tornou-se mais agressiva, intensa e visceral, mas sem deixar de lado a saudável acutilância que os define, pelo que Plowing Into The Field Of love, o novo trabalho do grupo, editado recentemente pela Escho e distribuido pela Matador Records, era aguardado com enorme expetativa.
Importa antes de mais realçar que em Plowing Into The field Of love, a atitude e a energia do punk continua bem patente e a voz do vocalista Elias, muito semelhante ao registo de Nick Cave, monocórdica, gasta e esforçada, ajuda em muito à criação da atmosfera negra por cima do pano de fundo punk, principalmente quando surge entrelaçada com pianos e guitarras distorcidas. Against The Moon é um dos grandes destaques do trabalho, não só por conter um piano partiucalrmente inspirado a marcar a cadência do tema, mas principalmente porque, na canção, a voz teatral de Elias carrega um clima particularmente sofrido que ajuda imenso a conferir ao tema um forte e certamente desejado clima emotivo.
É fácil imaginar estes Iceage a tocar em ambientes obscuros e apertados, com uma forte neblina interior, onde mal se distinguem os rostos, os cheiros e os estados de alma de quem os escuta e de quem acompanha o cariz fortemente inspirado, mas claramente enraivecido da sua música. Esta perceção é potenciada pelo negrume das letras, com destaque não só para a já referida Against The Moon, mas também para Glassy Eyed, Dormant And Veiled, uma canção que fala sobre o abuso parental, mas também pela postura dramática da banda e a aúrea depressiva que os envolve. Há detalhes como o rock vintage de The lorde's Favorite, os trompetes de Forever ou a percussão de Let It Vanish, que servem esse firme propósito de adensar um disco que acaba por funcionar como um bloco sombrio e único de som, um soco direto que estraçalha os maxilares e os ouvidos de quem chega desprotegido. Esta estratégia agressiva está desprovida de qualquer proximidade com o comercial, mas é certamente nada inocente e a sujidade que impregna o álbum aprisiona-nos numa espécie de relação de amor ódio com os Iceage.
2. The Lord’s Favorite
3. How Many
4. Glassy Eyed, Dormant and Veiled
5. Stay
6. Let It Vanish
7. Abundant Living
8. Forever
9. Cimmerian Shade
10. Against The Moon
11. Simony
12. Plowing Into The Field Of Love
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