Dirt Dress - Revelations EP


Ativos desde 2007, ano em que se estrearam com o EP Theme Songs, os norte americanos Dirt Dress vêm de Los Angeles, na Califórnia e têm no indie rock a sua força motriz, uma sonoridade que não é inédita, mas que, neste caso, é feita com enorme originalidade, já que o grupo tem uma forma muito própria de conjugar a guitarra com os sintetizadores, como ficou particularmente explícito em Donde La Vida No Vale Nada, o último trabalho do trio, editado em novembro de 2012. Agora, estão de regresso com mais quatro canções, ensacadas num EP intitulado Revelations, que viu a luz do dia a dezoito de novembro, por intermédio da Future Gods.


Twelve Pictures foi o primeiro tema do EP divulgado pelos Dirt Dress e logo aí percebeu-se que vivem muito de referências do passado, nomeadamente o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte. O breve interlúdio feito com um saxofone, as guitarras e a voz, levam-nos de volta aos primórdios do punk de cariz mais lo fi, em plena década de setenta e onde não falta aquele travo do surf pop psicadélico, numa canção que também comprova o elevado grau de emotividade e de impressionismo que o projeto coloca nas suas letras (I’ve cut myself so deep I’ve seen my muscles bleed).


O clássico rock sombrio e visceral, misturado com o punk e o surf rock mais obscuro, são, portanto, o grande referencial sonoro do grupo, mas também a pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta. Assim, a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza, são amenizadas por um grande cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas e por uma utilização assertiva do sintetizador.


Além de Twelve Pictures, temas como Skin Diving e, principalmente, Silk Flowers, plasmam um superior cuidado não só na procura de uma diversidade melódica e até instrumental, mas também na demonstração de controle das operações, mas sem deixar que isso ofusque o charme exalado pelo universo cinzento e nublado que cobre a mente criativa do coletivo. Isso também é conseguido no modo como as canções aconchegam a voz, quase sempre colocada numa postura um pouco lo fi, o que lhe dá uma tonalidade fortemente etérea e ligeiramente melancólica.


Interessantes no modo como dissecam uma já clássica relação estreita entre o rock de garagem, a pop lo fi e o punk psicadélico e exímios na forma como colocam na voz o tal cariz algo sombrio que tão bem os carateriza, em Revelations os Dirt Dress apresentam-nos quatro canções cheias de estilo, tão enevoadas como a penumbra que rodeia o próprio grupo, mas também tão luminosas como só as bandas que sabem ser eficazes à sombra das suas próprias regras conseguem ser. Espero que aprecies a sugestão...





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