Os Deerhoof são uma banda rock de São Francisco, formada por John Dieterich, Satomi Matsuzaki, Ed Rodriguez e Greg Saunier e estão de regresso aos discos com mais dez canções, certamente impregandas com um indie rock carregado de distorções e pesadas batidas que chocam com o punk e o hip hop, riffs carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas sonoras que possas imaginar. A rodela chama-se La Isla Bonita e viu luz do dia a três de novembro através da Polyvinyl Records.
Impressionado pelos Deerhoof quando escutei, há uns dois anos Breakup Song, aguardava com confessada expetativa um novo trabalho deste coletivo norte americano que, em abono da verdade, não defraudou as minhas expetativas mais otimistas. Nos Deerhoof, quanto maior for a sensação de caos e confusão nos nossos ouvidos, maior é a vontade que se tem de elogiar a sua música e em La Isla Bonita aquele lixo sonoro, completamente metefórico, que achei sublime em Breakup Song, mantém os seus altíssimos padrões qualitativos, com a voz da japonesa Satomi Matsuzaki, uma miúda cheia de energia, com quem dá vontade de rebolar num jardim e acabar com a boca cheia de húmus e pétalas de jasmins e malmequeres, a ser, ainda por cima, aquele detalhe que não nos faz hesitar em qualquer instante relativamente ao desejo de escutar este trabalho com frequência e de o balizar com natural louvor.
Em La Isla Bonita há rumba e synthpop, rock e hip hop, guitarras, sintetizadores, sinos, tambores, violas e xilofones, uma praga de instrumentos que nos consomem e Matsuzaki ao megafone em Big House Waltz, numa filosofia de montagem de canções em torre, com loopings e riffs até que a tal torre pareça uma canção e dela se liberte uma energia que nos impele ao movimento indiscriminado. Apesar de o disco conter também belos momentos melódicos, com especial destraque para Mirror Monster, a estrutura caótica, barulhenta e tematicamente reinvindicativa de Paradise Girl é um excelente exemplo do poder de diversão que a música pode ter e, numa banda que, imagine-se, vai já no décimo terceiro trabalho da carreira e conseuge sempre ser, em simultâneo, familiar e surpreendeente, esta vitalidade no modo como se vai constantemente reinventando, ficando tão bem plasmada logo na abetrura de um alinhamento e, já agora, em Exit Only, o primeiro tema ecolhido para single do disco, comprova que dificilmente os Deerhoof têm concorrência á altura no modo como se servem das guitarras distorcidas de Ed Rodriguez e John Dieterich, do baixo sincopado e da constante alternância entre as células rítmicas da bateria de Greg Saunier, particularmente assertiva na já referida Big House waltz, para instaurar um clima caótico que, tendo pontos de encontro com diferentes estilos, é no punk experimental que encontra o porto seguro para quem quiser defini-los de modo mais balizado. Paradise Girls é também uma boa canção para se perceber o modo como os Deerhoof conseguem manter intacta a sua ideologia e, simultaneamente, abraçarem o inedetismo, mas Last Fad e Doom também cumprem essa dupla função com grande relevância.
Em La Isla Bonita, os Deerhoof mostram-se mais roqueiros e pesados, mas mantêm, a vitalidade habitual, expressa naquela capacidade de experimentar e de compor sem alienar o ouvinte, assim como o espírito que os fez avançar no universo sonoro alternativo, sempre numa posição de merecido destaque, tanto para quem aprecia sonoridades mais comerciais, como para aqueles que procuram algo diferente e profundamente intrincado, psicadélico e até nebuloso. O póprio título do disco, que nos remete, como já terão todos percebido, para o maior sucesso da rainha da pop, é apenas e só um exemplo claro e feliz desta apenas aparente contradição e deste posicionamento a meio caminho entre dois extremos, a verdadeira zona de conforto deste coletivo californiano. Espero que aprecies a sugestão...
01 Paradise Girls
02 Mirror Monster
03 Doom
04 Last Fad
05 Tiny Bubbles
06 Exit Only
07 Big House Waltz
08 God 2
09 Black Pitch
10 Oh Bummer
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