Oriundo de Bellmore, em Nova Iorque, beat radio é Brian Sendrowitz e anda desde 2005 a criar excelentes composições que têm como maiores trunfos uma belíssima voz e um magnífico trabalho instrumental, com destaque para Ver Straten, que se juntou a Brian em 2007 para tomar conta da bateria e assim ajudar a expandir o som deste projeto que tem sido comparado a referências tão distintas como os Sparklehorse, os Luna ou os The Weakerthans. Após uma década com quase uma dúzia de lançamentos, entre EPs, albuns e singles, parece que a inspiração de Brian é inesgotável e, tendo passado o presente ano a escrever a maior quantidade possível de canções, resolveu antecipar o lançamento de Take It, Forever, o seu novo registo de originais que deverá ver a luz do dia em 2015, com a partilha de singles/demos 2014, um compêndio com temas, com a promessa de alguns deles virem a fazer parte desse trabalho.

Nestas oito canções existem algumas curiosidades que importa destacar, nomedamente uma versão de Pour It Up, um original de Rihanna e a versão punk do genérico da série de televisão Full House, entretanto incluida num podcast intitulado Everywhere You Look, que desconstrói sonoramente cada um dos episódios desta sitcom. Começa-se a escutar esta coleção de canções pelo tema homónimo do tal álbum que está para chegar e percebe-se de imediato que beat radio é um projeto que propôe uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo as teclas e o sintetizador desta canção, poderão facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas.
Daí em diante, tudo aquilo que se escuta tem algo de fresco e hipnótico, uma pop com um pendor eletrónico simples, bonito e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. Os sintetizadores têm um tempero muito particular e as guitarras, que têm o protagonismo maior em Losing Time e o sintetizador sustentam a base melódica e sabem como dar o tempero ideal às composições que, com frequência, duvidam delas próprias sem saberem se querem avançar para uma sonoridade futurista, ou se preferem viver na firme intenção de ficarem a levitar na pop dos anos oitenta.. Depois a voz um pouco lo fi e shoegaze, confere aquele encanto retro e relaxante e amplia a atmosfera de brilho e cor em movimento que sustenta esta obra com um alinhamento alegre e festivo e que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana.
Sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, mas antes se refrata para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia, estas oito canções carecem de cantos escuros e projetam a beat radio inúmeras possibilidades sobre o seu futuro discográfico próximo. Espero que aprecies a sugestão...
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