Blurred City Lights - Anamorphic



Lançado no passado dia oito de junho apenas em formato digital disponível no bandcamp, Anamorphic é o primeiro longa duração dos Blurred City Lights, um grupo formado por Jarek Leskiewicz (Naked On My Own, NOMODD) e Dean Garcia (Curve, SPC ECO), mas que também conta com as participações especiais de Rose Berlin, Russell Keeble e Perry Pelonero. A banda já tinha lançado em março de 2013 Neon Glow, um EP com seis canções.


Anamorphic é um disco rock com um travo aquele espírito industrial, mas com uma carga ambiental assinalável, bem patente, por exemplo, nos temas Try e Chained, mas essas batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem, em demasiado, ao restante conteúdo sonoro. Smalls Fears Magnified, uma excelente amostra de rock industrial e progressivo prova esta minha teoria quando a voz de Jarek e uma certa toada psicadélica fazem do tema dos momentos mais atraentes e diferentes do disco. No entanto, os elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um teclado sintético e a uma percussão orgânica com um volume crescente, em OP4, fazem deste instrumental um dos grandes momentos sonoros do ano.


Outro dos maiores destaques de Anamorphic acaba por ser também o single Inside, uma feliz escolha para amostra, já que, de certa forma, compila toda a arrojada e diversificada míriade sonora do álbum, incluindo o acerto de uma voz, que se assume também como um importante fio condutor das onze canções, seja através de um registo sussurrante, ou através de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais e dos devaneios muitas vezes algo inconclusivos e misteriosos das guitarras.


Este extraordinário álbum de estreia de um projeto que merece toda a atenção destaca-se pela intensidade ambiental que nos atira para paisagens eletrónicas de outrora, com os teclados e as guitarras a terem o maior destaque, a construirem diversas camadas sonoras e onde há uma voz omnipresente entregue a um espírito desolado e que nos remete, devido ao baixo constante, para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. É um disco com uma acentuada componente experimental e aconselha-se audições repetidas para que se tenha a perceção clara do seu conteúdo e dos mínimos detalhes. O sucesso da estreia dos Blurred City Lights depende da predisposição do ouvinte e do cenário que cada um de nós cria tendo em conta a atmosfera sonora proposta. São quase sessenta minutos cheios de momentos brilhantes, com diferentes graus de intensidade e que precisa de um tempo que objetivamente merece. Espero que aprecies a sugestão... 


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