Após um longo hiato de dezasseis anos, os The Afghan Whigs de Greg Dulli, estão de regresso às edições discográficas com Do The Beast, um álbum que viu a luz do dia a quinze de abril último, por intermédio da Sub Pop Records e que sucede ao aclamado registo 1965 (1998).
Mais de uma década de pausa parece ser imenso tempo, mas é algo compreensível num projeto que depende muito de Greg Dulli, um músico que durante este intervalo envolveu-se em outros projetos, várias vezes de mãos dadas com Josh Homme, o carismático lider dos The Queens Of The Stone Age e também com Mark Lanegan. Agora, neste novo álbum dos The Afghan Whigs, do elenco inicial apenas o baixista John Curley se juntou a Dulli, mas o rock visceral continua a ser a receita que cozinha as novas canções do grupo.
Dulli não aprecia muito a fama, a exposição pública e o sucesso e não será com Do The Beast que ele alcançará tal desiderato, algo que, neste caso concreto, funciona, desde logo, como um rasgado elogio a um disco onde os The Afghan Whigs, demonstrando uma natural evolução em termos de musicalidade, quiseram criar o habitual ambiente misterioso e sombrio da sua música, tendo sido, na minha opinião bem sucedidos. Aliás, Parked Outside e Matamoros, as duas cançõe que abrem Do The Beast, poderiam muito bem ter feito parte do alnhiamento de qualquer trabalho anterior da banda. O rock sujo carregado com guitarras poderosas e incisivas destes dois temas e, principalmente, de Lost In The Woods, causa boa impressão ao ouvido e o falsete de Dulli prova que os anos não fizeram mossa na sua elevada capacidade vocal.
Ao terceiro tema, It Kills, a presença de um piano e o clima melancólico e até algo psicótico criado pela melodia, confere aos The Afghan Whigs, uma faceta psicadélica que se aplaude e que a bateria clássica do single Algiers reforça, mais uma canção onde as cordas e a voz de Dulli ajudam a transportar-nos para paisagens áridas e quentes.
Antes do final do disco merece ainda destaque The Lottery, uma canção que tem vários sinais e arranjos exuberantes que apontam para o rock alternativo dos anos noventa e Can Rova já vem noutra onda, no terreno dos típicos lamentos de Dulli, agregados a paisagens sonoras desérticas e tristes. Royal Cream tem um início sussurrado, insinuado e desolado, que explode numa profusão de guitarras, efeitos, baixo e bateria.
Na reta final, a explosiva I Am Fire impressiona pleas variações de ritmos e pelos detalhes sintetizados da percurssão que ao darem as mãos a palmas e cordas, fazem com que os The Afghan Whigs pisquem novamente o olho à psicadelia e These Sticks é mais um painel sonoro onde a guitarra, a bateria, as cordas e a voz de Dulli, mostram que é possível encontrar harmonia no meio daquilo que, à primeira audição, pode soar algo barulhento e até agressivo.
Em suma, numa época em que o rock é um pouco menosprezado e não parece ser possível apresentar novidades consistentes e originais, Do The Beast inquieta e impressiona, através de dez canções que nos obrigam a saúdar o regresso dos The Afghan Whigs à ribalta que tanto os inquieta e que são melhores que muitas novidades que vão surgindo e que tantas vezes são catalogadas como algo de único e inovador. Esta espécie de segundo fôlego de Dulli poderá agradar a um público jovem que nunca ouviu os The Afghan Whigs e suscitará certamente curiosidade acerca do percurso anterior do grupo. Espero que aprecies a sugestão...
01. Parked Outside
02. Matamoros
03. It Kills
04. Algiers
05. Lost In The Woods
06. The Lottery
07. Can Rova
08. Royal Cream
09. I Am Fire
10. These Sticks
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