Depois de Hello Sadness, os galeses Los Campesinos! estão de regresso com No Blues, mais um compêndio sonoro lançado pela Wichita Recordings e relevante numa discografia bem sucedida e que também conta com Hold on Now, Youngster e We Are Beautiful, We Are Doomed, de 2008 e Romance Is Boring (2010). São trabalhos desenvolvidos sob uma arquitetura de versos e sons festivos e, neste novo registo, o coletivo reforça a sua própria capacidade de produzir composições puras encantadoras e delicadas e cuja sonoridade vai do épico ao melancólico, mas sempre com uma vincada e profunda delicadeza.
No Blues é o primeiro disco dos Los Campesinos! que não conta com a baixista Ellen Wadell, mas consegue ser tão intenso quanto qualquer outro álbum anterior e em apenas dez canções eles condensam toda a sonoridade típica da banda, como se estivesse na altura de fazer uma espécie de balanço e, em vez de um best off, a aposta recaísse na apresentação de novas canções que obedecem à habitual fórmula sonora dos Los Campesinos! Mesmo depois de sete anos de carreira, a banda ainda teve fôlego criativo para apresentar mais uma coleção de canções mantendo a fórmula e, no fundo, quem ainda não conhece esta banda, ao escutar No Blues poderá ficar com uma perceção muito clara do que poderá aguardar caso tenha vontade de descobrir e ouvir a restante discografia dos Los Campesinos!.
Em oposição às vibrantes linhas de baixo e às guitarras sintetizadas, essa tal fórmula deste grupo galês assenta no mergulho em sons adocicados e guiados por uma elevada instrumentalidade melancólica, de certo modo próximos de bandas como os Broken Social Scene ou mesmo os veteranos Belle and Sebastian. O colorido e melódico cenário musical sueco de bandas como os I’m From Barcelona e os Shout Out Louds também parecem ter aqui uma reprodução óbvia, onde sintetizadores, guitarras, batidas e uma escrita às vezes pouco óbvia e sem muito sentido dançam num jogo colorido de referências.
Apesar de No Blues alinhar, como já referi, com o restante cardápio sonoro do grupo, não deixa de haver alguns aspectos inéditos, nomeadamente uma maior luminosidade nas canções, algo bem presente logo no início com For Flotsam e What Death Leaves Behind, e na grandiosidade de Selling Rope (Swan Dive To Estuary), temas verdadeiramente acessíveis e fáceis de cantarolar, com uma forte componente radiofónica e com arranjos que nos prendem atá ao último acorde. Quero também destacar, no alinhamento, o sintetizador de Cemetery Gaits e a sensibilidade perene de Avocado, Baby.
No Blues não é um conjunto de temas que abordem a tristeza ou a infelicidade através de sons puramente soturnos e obscuros. Algumas canções até podem parecer que puxam o registo para um universo mais amargurado, mas boa parte do álbum, principalmente nos seus momentos iniciais, é carregado de luz e vivacidade, o que resulta numa coleção de belos acertos sonoros e canções memoráveis.
Estamos, portanto, na presença de um disco que reflete uma assinalável maturidade de um grupo que aposta na coerência e que reforça a capacidade que os Los Campesinos! têm de ser criativos e criar mais um conjunto de canções com elevado bom gosto, mesmo que isso não acrescente nada de relevante à fórmula que os sustente. Há quem opte por inovar e mudar de rumo constantemente para conseguir obter reconhecimento e visibilidade e depois há aqueles que repetem a receita e, mesmo assim, conseguem ser sempre joviais e agradar aos ouvintes. Espero que aprecies a sugestão...
01. For Flotsam
02. What Death Leaves Behind
03. A Portrait Of The Trequartista As A Young Man
04. Cemetery Gaits
05. Glue Me
06. As Lucerne / The Low
07. Avocado, Baby
08. Let It Spill
09. The Time Before The Last Time
10. Selling Rope (Swan Dive To Estuary)
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